Sobre a Associação




É antiga a preocupação com as relações entre o meio ambiente e os seres vivos. Até meados do século XX os estudos eram isolados e limitados a certos aspectos. Eram frequentes longas revisões a respeito dos efeitos de fatores climáticos sobre a produção, a reprodução e a saúde dos animais, delas contraditórias, não contribuindo para a compreensão do assunto.

Considerando a tendência moderna para a integração dos diferentes campos científicos e privilegiando uma visão holística e mais realista dos fenômenos biológicos, nasceu uma nova ordem de estudos com os trabalhos de E.B. Forbes e colaboradores (1926), Albert Rhoad (1936) e John Hammond (1931). A este novo campo científico, João Barisson Villares atribuiu em 1940 o nome de Climatologia Zootécnica. Dez anos mais tarde, este termo foi modificado para Bioclimatologia por J.D. Findlay.

Em 1955 este campo de estudos foi denominado de Biometeorologia, como atualmente é conhecido, por proposta de Solco Tromp; o termo se refere especificamente às relações entre organismos e fatores meteorológicos, isto é, os valores circunstanciais da temperatura e da umidade do ar, do vento, da pressão atmosférica, da radiação solar e outros fatores. Esta modificação terminológica se justifica, porque a Bioclimatologia aborda as interações dos organismos com os valores médios das variáveis meteorológicas, ou seja, o clima de uma determinada região. Finalmente, em 1956 foi fundada em Paris a International Society of Biometeorology e desde então tem sido crescente o interesse pelo assunto. Os primeiros e mais importantes centros de estudos bioclimáticos e biometeorológicos têm sido as universidades e estações experimentais de agricultura dos EUA, destacando-se inicialmente as Universidades de Missouri (campus de Colúmbia) e da Califórnia (campus de Davis). Algumas instituições britânicas, como o Hannah Dairy Research Institute (em Ayrshire), o Institute of Animal Physiology (em Cambridge) e a Nottingham University realizaram importantes pesquisas na área. Entretanto, em termos de aplicação direta à pecuária tropical, a liderança coube a Austrália, através do CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation), cuja mais importante unidade de pesquisa a esse respeito permaneceu ativa até 1995, o Tropical Beef Centre, em Queensland.

No Brasil, o interesse pelos estudos biometeorológicos e bioclimáticos têm sido crescentes, desde os trabalhos pioneiros de Albert Rhoad em Minas Gerais (1935, 1936), João Barisson Villares (a partir de 1940) e João Soares Veiga (a partir de 1960), em São Paulo. Porém, cabe a Otávio Domingues a maior divulgação desse campo de trabalho através de seus livros: O Gado nos Trópicos (1961) e Introdução à Zootecnia (1968). Desde então, algumas instituições têm se envolvido a fundo em pesquisas na área, com destaque para a Universidade Estadual Paulista (especialmente nos campi de Jaboticabal e Botucatu), Universidade de São Paulo (campus de Pirassununga), Universidade Estadual de Campinas (Campinas, SP) e Universidade Federal de Viçosa (Viçosa, MG). Há ainda grupos isolados de pesquisadores na EMBRAPA, outras universidades e institutos estaduais de pesquisa.

Durante muito tempo houve grande interesse no melhoramento das chamadas raças nativas. Mas como a evolução é um processo naturalmente lento, são remotas as perspectivas de um aumento significativo a curto ou médio prazo na capacidade produtiva das raças e variedades tropicais de animais domésticos, de modo a influir de modo significante na produção global. No que se refere particularmente aos bovinos Zebus, estão ainda muito longe de poderem competir em produtividade com as variedades europeias melhoradas, não por falta de potencialidade, mas devido ao curto tempo de melhoramento já aplicado nelas.

A produção de leite é um problema mais sério. Os genótipos para alta produção compatíveis com a adaptação aos fatores ambientes tropicais ainda não foram identificados e disseminados suficientemente nas raças zebuínas e nativas. Faz-se necessário um trabalho sistemático e em grande escala nesse sentido. Os resultados de que necessitamos, a curto prazo, podem ser obtidos pela aplicação dos princípios da Biometeorologia à criação de animais melhorados de origem europeia. Entre estes animais existem muitos que talvez não sejam os melhores em seus locais de origem, mas que apresentam características que os tornam desejáveis em um ambiente tropical, particularmente aquelas ligadas à estrutura e coloração do pelame, pigmentação cutânea e capacidade de sudação. Quanto à produção de lã ovina, tem-se restringido a criação de ovinos especialmente no Rio Grande do Sul, embora o clima dessa região ainda não seja o melhor para a obtenção de uma lã de qualidade realmente fina. Esta produção de qualidade é uma característica da raça Merino, mais adequada a climas quentes e secos. As regiões do Nordeste, por exemplo, poderiam ser boas produtoras de lã ovina de qualidade, caso fossem resolvidos os problemas da carência de pastagens adequadas.

Problemas graves têm sido identificados na avicultura, durante muito tempo baseada na importação de genótipos, frequentemente impróprios para as condições tropicais. Os esforços de desenvolvimento de linhagens nacionais de aves têm se concentrado na Universidade de São Paulo (campus de Piracicaba), Universidade Federal de Viçosa (MG) e EMBRAPA (SC). Apesar dos resultados animadores, há ainda muito a ser feito quanto aos problemas biometeorológicos das aves.

Finalmente, os princípios da Biometeorologia podem ajudar na adoção de instalações e métodos de manejo mais adequados às condições tropicais. Este tipo de abordagem já está se popularizando entre os criadores e sua aplicação prática, feita com conhecimento de causa, poderá trazer grandes benefícios em termos de resposta produtiva mais satisfatória dos animais. Estudos nesse sentido devem ser estimulados.

Considerando o que foi exposto acima, fica evidente que o contato e a troca de informações entre os pesquisadores em biometeorologia animal favorece o progresso tecnológico, como já vem acontecendo. A inclusão de pesquisadores da área de Medicina Humana já vem dando frutos excelentes, como se pode ver com a quantidade de trabalhos sobre Biometeorologia Humana publicados no exterior. No Brasil já existem diversos interessados neste campo.

Portanto, deve ser destacada a necessidade de um fórum permanente que reúna os pesquisadores e os interessados nos problemas ambientais dos seres vivos, incluindo profissionais das mais diferentes áreas, sejam animais, humanas e vegetais. Com isso, avançamos no diálogo e na consolidação da Sociedade Brasileira de Biometeorologia, estruturada nos mesmos termos básicos da International Society of Biometeorology.



  • Missão
    Missão

    Prover uma organização em escala nacional, visando promover a colaboração interdisciplinar de Físicos, Biologistas, Meteorologistas, Agrônomos, Médicos, Médicos Veterinários, Zootecnistas, Engenheiros, Sanitaristas e outros cientistas interessados nas relações entre os seres vivos e o meio ambiente, além do desenvolvimento do campo da Biometeorologia.

  • Visão
    Visão

    Ser uma entidade de referência nacional e internacional dentro da área de Biometeorologia Humana, Animal e Vegetal, promovendo uma inter-relação entre essas subáreas, e fortalecendo o conhecimento científico e social.

  • Valores
    Valores

    Promover e organizar o conhecimento científico no campo da Biometeorologia; Facilitar o intercâmbio de informações; Apoiar o estabelecimento de grupos locais e regionais de Biometeorologia e de ciências correlatas; Estimular a cooperação mútua entre os grupos multidisciplinares.